O combate aos efeitos das alterações climáticas e a preservação da linha de costa tornaram-se prioridades absolutas na agenda de infraestruturas de Cabo Verde. Sendo um país arquipélagico com milhares de quilómetros de costa, o avanço do nível do mar e a erosão provocada por tempestades intensas ameaçam povoações piscatórias, infraestruturas viárias e ecossistemas sensíveis nas ilhas mais expostas.
Engenharia natural e soluções baseadas na natureza
Em vez de recorrer exclusivamente a barreiras de betão que muitas vezes alteram negativamente as correntes marítimas, o Ministério do Ambiente e os municípios estão a priorizar "infraestruturas verdes". Estas soluções incluem a reconstrução e fixação de cordões dunares com vegetação nativa, o assentamento de escolhos ecológicos que servem de viveiro para espécies marinhas e a recuperação de zonas húmidas em ilhas como a Boa Vista e o Maio.
Proteção de comunidades piscatórias e vias de transporte
Em Santiago e em São Nicolau, intervenções urgentes de consolidação das encostas marítimas e proteção de vias rodoviárias costeiras garantiram que vilas piscatórias não fiquem isoladas durante períodos de ondulação forte. As obras integradas incluem rampas de varagil seguras para os barcos de pesca artesanal e espaços de acostagem adaptados à subida do nível das águas.
O papel central das comunidades locais e da monitorização
A sustentabilidade destes projetos de proteção ambiental assenta no envolvimento ativo das populações locais. Associações comunitárias e de pescadores foram formadas para monitorizar o estado das praias, proteger os ninhos de tartarugas marinhas e evitar a extração ilegal de areia — uma prática que no passado fragilizou severamente as defesas naturais das ilhas.
Parcerias internacionais para o financiamento climático
Sendo um projeto de elevada exigência financeira, Cabo Verde tem mobilizado recursos através de fundos climáticos multilaterais e cooperação internacional. A implementação destas medidas pioneiras de adaptação costeira está a ser acompanhada de perto por outros pequenos estados insulares do Atlântico e do Pacífico, que veem no modelo cabo-verdiano um exemplo de resiliência e inovação ambiental.