O sucesso de Cabo Verde no Mundial 2026 esta a trazer atencao internacional para muito mais do que futebol. Reportagens internacionais tem destacado um capitulo pouco conhecido da historia do arquipelago: a presenca de judeus sefarditas vindos de Marrocos e Gibraltar, que se fixaram nas ilhas em meados do seculo XIX.
Apos Portugal abolir a Inquisicao em 1821 e assinar um tratado comercial com a Gra-Bretanha em 1842, varios judeus marroquinos que comerciavam com Gibraltar acabaram por se instalar em Cabo Verde, alguns transportando passaportes britanicos. Apelidos como Anahory, Benoliel, Benchimol, Cohen, Levy, Maman e Wahnon ainda hoje fazem parte da memoria de muitas familias cabo-verdianas.
O Cape Verde Jewish Heritage Project tem trabalhado ha anos na restauracao de cemiterios judaicos na Praia, na Boa Vista e em Santo Antao. Em 2018, dois cemiterios em Ponta do Sol e Penha de Franca foram reabertos numa cerimonia que contou com descendentes da comunidade, representantes oficiais dos Estados Unidos e de Israel, e o rabino-chefe de Lisboa.
Hoje, praticamente nao existe comunidade judaica praticante em Cabo Verde, mas o legado permanece vivo em apelidos de familia, cemiterios classificados como patrimonio historico nacional e na memoria oral transmitida de geracao em geracao junto ao Atlantico.